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Cetip lança mercado secundario de CRA em 2016; mercado tenta criar versão em dólar

Por: Arena do PaviniImprimirVisualizar em PDF

​A Cetip deverá incluir no primeiro semestre de 2016 os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) na Cetip Trader, plataforma de negociação que hoje é responsável pelo mercado secundário de títulos públicos e debêntures entre os bancos. A informação é do diretor comercial da Cetip, Carlos Ratto. Segundo ele, isso permitirá a criação de um mercado secundário desses papéis e maior liquidez para os compradores. Junto com os CRA, entrarão na Cetip Trader os papéis bancários, como os CDB e as letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA). Ele participou do seminário "O mercado de capitais e o agronegócio", promovido pela securitizadora EcoAgro.

Segundo ele, o ajuste fiscal e os cortes de verbas para o BNDES vão reduzir a participação do governo no financiamento do agronegócio e as empresas terão de buscar mais fontes alternativas de recursos. Ao mesmo tempo, com o mercado externo mais fechado por conta da perda do grau de investimento e o aumento dos juros nos EUA, o mercado de capitais deve se tornar cada vez mais a opção para o setor.

Hoje, 50% dos empréstimos para o agronegócio vem do crédito rural, do depósito à vista dos bancos, mas esse volume já não é suficiente. Além disso, os empréstimos bancários são de curto prazo, o que não permite ao produtor rural se planejar. Por isso, Ratto acredita no aumento das emissões de CRA.

R$ 2 bi em CRA no ano

Neste ano, até junho, esses papéis atingiram R$ 2 bilhões em emissões, cinco vezes mais do que no mesmo período do ano passado e praticamente o mesmo valor de todo o ano de 2014. O estoque de papéis passou de R$ 2,045 bilhões em dezembro de 2014 para R$ 3,715 bilhões em agosto deste ano, graças a operações grandes, como a Raisen e a Suzano, que levantaram mais de R$ 600 milhões cada com juros de 100% a 101% do CDI. "E captar recursos a 101% do CDI não é mau negócio mesmo para uma empresa grande", diz. Parte dessa vantagem vem da isenção que as pessoas físicas têm sobre os rendimentos ao comprar um CRA, e que permite à empresa pagar juros menores nos papéis.

E mais emissões devem vir, diz Ratto, citando a BR Foods. "O mercado está crescendo de forma significativa e está se tornando acessível a todos", diz.

Outro passo deve ser a negociação no mercado secundário desses papéis, que permitirá ao investidor se desfazer dos títulos antes do vencimento. E há também a expectativa com o lançamento de CRA atreladas ao dólar. "Será importante para quem vende produtos importados e tem recebíveis em dólar", afirma Ratto.

CRA em dólar para os gringos

A emissão das CRA em dólar é uma das prioridades de Tiago Araújo dias Themudo Lessa, do escritório Pinheiro Neto Advogados. Segundo ele, o assunto foi discutido recentemente com o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, que só manifestou a preocupação com a criação de uma aplicação em dólar no país. "Explicamos que nossa proposta é que o papel seja destinado apenas a investidores estrangeiros, não para os locais", disse.

Outra opção é a negociação desses papéis no exterior como recibos, ou Depositary Receipts, estrutura autorizada pelo governo, desde que o lastro sejam operações a serem pagas em dólar emitidas por empresas brasileiras. Antes disso, porém, é preciso retirar a restrição aplicada ao CRA pela legislação dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). "Os CRA não tem uma regulamentação específica e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) usa a dos CRI, e nela há uma restrição que impede a compra tanto de CRI quanto de CRA por estrangeiros".

Segundo ele, a liberação do investimento estrangeiro em CRA abriria espaço para fundos hedge estrangeiros e outros fundos internacionais comprarem esse tipo de papel. "Hoje, um fundo não pode emprestar direto para uma empresa do agronegócio brasileiro, mas poderia comprar um papel dela no mercado de capitais", lembra.

Regulamentação só para CRA

A questão da regulamentação pela CVM é outro assunto que o setor espera ver resolvida em breve, diz Lessa. Segundo ele, a CVM analisa uma regulamentação específica para o CRA, o que pode facilitar as emissões. "Hoje as emissões seguem as regras gerais de ofertas públicas, mas uma norma específica facilitaria muito a estruturação das operações", diz.

Agricultores suspendem pagamentos

A maior liberdade para as emissões de CRA é importante para evitar problemas de financiamento no setor, que já vive um início de crise por conta das incertezas da economia, diz Moacir Teixeira, da securitizadora EcoAgro, especializada em emissões do papel. "Hoje, o governo não está liberando dinheiro para o setor rural e, com isso, os produtores não estão pagando os bancos, pois se eles pagarem não terão como financiar o próximo plantio", afirma, lembrando ainda que os custos dos insumos acompanham a alta do dólar. "E os bancos, que não recebem, também deixam de emprestar".

A saída, diz Teixeira, é cada vez mais os produtores apelarem para o "CRI Caipira", forma como ele encontrou há cinco anos, quando começou, para explicar para os investidores, acostumados somente com os papéis do mercado imobiliário, o que eram os CRA. E este ano a procura já está bem maior. "Tínhamos um total emitido de R$ 600 milhões em CRA até o ano passado e neste ano estamos chegando a R$ 1,4 bilhão", diz.

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