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Aquisições têm segundo ano de queda

Por: Valor EconômicoImprimirVisualizar em PDF

Em meio ao cenário de incerteza política e econômica, o ano de 2016 teve o mais baixo número de fusões e aquisições no Brasil desde 2011, no segundo ano consecutivo de queda para o mercado. Foram 740 transações, contra 773 em 2015, num recuo de 4,3% na comparação anual, conforme dados da KPMG, obtidos em primeira mão pelo Valor.

O ano foi marcado pela cautela de compradores internacionais, com avanço das operações domésticas. Entre os maiores negócios, figuraram a venda de ativos pela Petrobras e por grandes mineradoras como Vale e Anglo American, a fusão entre BM&FBovespa e Cetip e operações no sempre agitado setor elétrico, segundo levantamento da PwC.

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Para 2017, especialistas esperam a retomada do interesse estrangeiro, diante do ambiente mais favorável ao fechamento de negócios. A operação mais aguardado do ano é a venda da BR Distribuidora pela Petrobras, além de ativos de infraestrutura de companhias envolvidas na operação Lava-Jato da Polícia Federal.

"Num contexto de incerteza econômica e política, decisões de longo prazo ficam prejudicadas, é preciso tomar decisões de curto prazo para sobreviver à crise, isso inibe o movimento de aquisições", diz o sócio da KPMG, Luis Motta, sobre a razão da queda em 2016.

A incerteza também aumenta o risco, fazendo com que as taxas de retorno exigidas para o negócio fiquem maiores, o que cria diferenças na expectativa de valor entre vendedores e compradores, dificultando ou adiando o fechamento de operações, afirma.

Se por um lado os estrangeiros se mantiveram mais distantes das fusões e aquisições locais, afastados pela redução da atividade econômica em diversos segmentos da indústria brasileira, por outro, as transações domésticas registraram um incremento de 11,5% sobre 2015.

"Esse crescimento marca uma retomada, porque 2015 foi um ponto muito baixo para as operações domésticas. Talvez os brasileiros já comecem a perceber oportunidades em setores específicos, pois eles respondem mais rápido a mudanças no contexto econômico", avalia Motta.

Outra característica marcante do mercado no ano passado foram as transações de empresas brasileiras vendendo operações no exterior, que somaram 35, numa alta de 133% sobre 2015 e resultado mais elevado da série histórica com início em 2006.

"Várias dessas empresas precisavam de caixa e uma forma de ter recurso e não vender tão barato foi se desfazer de ativos internacionais em dólar ou moeda forte que operam em economias não impactadas pela crise", analisa o sócio da KPMG. A escassez de crédito também contribuiu para a decisão de vender, afirma.

Uma das companhias que está tentando fazer caixa e melhorar sua liquidez através da venda de ativos, a Petrobras foi responsável por três dos dez maiores negócios do ano, segundo ranking da PwC. A venda da Nova Transportadora do Sudeste (NTS) à Brookfield e sócios, do bloco BM-S-8 à Statoil e da Petrobras Argentina à Pampa Energia renderam US$ 8,6 bilhões à estatal.

No setor elétrico, a compra da CPFL Energia pela chinesa State Grid e dos ativos da Duke Energy no Brasil pela China Three Gorges foram os maiores destaques.

Para este ano, a principal aposta da PwC é a retomada de negócios no varejo. "Haverá fusões grandes no varejo, o agronegócio vai continuar sendo muito importante e TI [tecnologia da informação] vai seguir sendo o carro no Brasil", prevê o sócio da consultoria, Rogério Gollo.

Educação e saúde prometem continuar ativos, acredita o advogado especializado em fusões e aquisições e private equity Thiago Sandim, sócio do escritório Demarest. Mas, para ele, a bola da vez agora é a infraestrutura.

"Há uma grande expectativa com o que vai sair das diversas delações [de empresas envolvidas na Lava-Jato], porque isso vai viabilizar ou inviabilizar a venda de ativos por essas empresas, o mercado esta em compasso de espera", diz Sandim. Segundo ele, também o rearranjo de contratos de concessão pelo governo mantém o mercado em aguardo.

Novamente, a Petrobras promete ser destaque no ano, se conseguir desengavetar a venda da BR, acredita o advogado. "O ativo tem muito comprador, mas um processo mal formatado, além disso, tem toda a insegurança jurídica das liminares, que engasgam o andamento", pondera.

Para o sócio do escritório Pinheiro Neto, Fernando Meira, essa é a hora para o estrangeiro que quer se posicionar no Brasil. "Mais previsibilidade, num ambiente de negócios mais estável, propicia maior número de transações. O pior já passou, então agora é aproveitar as oportunidades ou pagar mais caro lá na frente", conclui.

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