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Tirar boas práticas do papel é desafio

Por: Valor EconômicoImprimirVisualizar em PDF

As práticas de governança e regras de sustentabilidade consideradas padrão de excelência por empresas e pelo mercado de capitais estão sendo insuficientes para detectar falhas e fraudes na gestão corporativa no Brasil e no mundo. 

Escândalos recentes atingiram não apenas empresas familiares como a JBS e uma lista de empreiteiras brasileiras - com destaque para Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e OAS -, como companhias multinacionais tidas como referência em conformidade, como Volkswagen, Fiat Chrysler e Toshiba. A própria Petrobras, apesar de sofrer influência política histórica, seguia, no papel, todas as regras das cartilhas de governança. Essas últimas quatro empresas integravam, por exemplo, o índice de sustentabilidade Dow Jones, que funciona como um selo global de boas práticas corporativas - e acabaram sendo excluídas do grupo após a revelação de desvios de conduta de alguns funcionários. 

Com a ressalva de que não há modelo de compliance com 100% de eficácia, especialistas dizem que há dois motivos principais que explicam a ocorrência de fraudes ou outros malfeitos não detectados. 

Um é o fato de alguns deles ocorrerem no nível dos controladores, fora do radar dos programas corporativos de defesa de integridade. O outro é a dificuldade de garantir que boas práticas desenhadas no topo das empresas sejam adotadas em todos os níveis e áreas das organizações. 

"É muito difícil para uma empresa controlar o seu controlador", afirma o sócio de fusões e aquisições do escritório Pinheiro Neto, João Marcelo G. Pacheco. Em muitos dos casos recentes de ilegalidades, os autores dos desvios não eram executivos, mas proprietários. Segundo Pacheco, muitas melhorias estão sendo incorporadas nas regras de governança, mas o ideal seria que elas alcançassem também aos controladores. 

Para Kevin Altit, sócio do Mattos Filho, o que comanda a governança em uma empresa é a "mensagem vinda de cima". "O proprietário tem de passar uma mensagem de observância de padrões de integridade e de compromisso", afirma. Altit explica que qualquer política de governança e compliance implica na construção de uma cultura de "fazer a coisa certa" que envolve não apenas a empresa mas colaboradores e terceiros. 

"Se a adoção for grande, logo os bancos irão exigir das empresas uma política de compliance para emprestar. As exigências podem ir além, por exemplo, não liberando financiamentos para empresas que possuem ligações com outras empresas que praticam corrupção", afirma. Isso criaria uma bola de neve que levaria as empresas a se adequarem para não prejudicarem acionistas e investidores. 

Em relação ao segundo tipo de problema, quando existe boa intenção e boas práticas no comando da companhia, mas há insegurança sobre sua aplicação, existem certificações do tipo ISO e mesmo um selo conferido pela Controladoria-Geral da União, que tentam assegurar a qualidade dos programas integridade das empresas. 

Num modelo que busca o mesmo objetivo, mas por caminho diferente, um grupo de especialistas em administração e governança da Universidade de Yale incubou uma empresa, a ESG Compass, que criou um software para monitorar as práticas de governança e sustentabilidade de uma empresa. Em vez de se basear no que a alta administração diz que a empresa faz, a novidade é que esse monitoramento é feito através de cruzamento de dados fornecidos pelos colaboradores, clientes, empregados e investidores da empresa. 

Através de entrevistas com todos os públicos de interesse da empresa, a ferramenta quer ir além do que dizem os manuais e códigos. "Nosso foco é o comportamento e a cultura empresarial", diz Rodrigo Castro, diretor administrativo da ESG - a sigla em inglês vem de environment (ambiente), sustentability (sustentabilidade) e governance (governança). 

Com os dados nas mãos, a ESG poderá classificar as empresas de acordo com suas práticas de governança e compliance a partir da coleta de dados com todos os stakeholders através de entrevistas. O processo já está sendo aplicado no Chile há dois anos em empresas que fazem parte do índice de sustentabilidade da bolsa chilena. "A expectativa é de que no próximo ano já temos dados para divulgar um ranking chileno", disse Castro. 

No Brasil, a ESG está em contato com grandes empresas que têm capital aberto na B3 e, segundo Castro, as primeiras coletas de dados poderão começar no primeiro semestre de 2018. As empresas que adotarem a ferramenta terão subsídio da Universidade de Yale no primeiro ano. Peru, Colômbia e México são outros países onde a ESG quer se expandir. Castro acredita que as empresas acabarão adotando essa ferramenta de gestão de risco, seja para demonstrar que estão se adaptando à governança e mitigar riscos, ou por exigência dos investidores. 

Todd Cort, professor doutor da escola de negócios da Yale e da Universidade de Columbia, conta que um estudo acadêmico revisou outros 2,2 mil artigos publicados entre 2000 e 2015 que procuraram verificar, de diferentes formas, a relação entre práticas de sustentabilidade e governança e métricas financeiras. Em 50% deles houve correlação positiva, com o grupo de empresas que se preocupa com questões de sustentabilidade e governança, tendo desempenho financeiro superior ao da média do mercado. Em 40% dos estudos o resultado foi neutro ou inconclusivos e, em 10% esse grupo de empresas teve performance pior. Em 90% dos casos, portanto, o investidor que se orienta por isso não perde do mercado. "Parece uma boa aposta", afirma. 

Segundo Cort, a demanda atual dos investidores é saber como incorporar dados de gerenciamento de risco em modelos de avaliação de companhias.

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