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‘Escândalos prejudicaram muito o conceito da advocacia’

Por: JOTAImprimirVisualizar em PDF

Alexandre Bertoldi, sócio gestor do Pinheiro Neto Advogados

 

O escritório Pinheiro Neto Advogados, que completou 75 anos de existência em 2017, começa o novo ano com seis novos sócios e cinco novos consultores.

Segundo Alexandre Bertoldi, sócio gestor do escritório, 2017 acabou sendo melhor do que o esperado. "A retomada da atividade econômica nos ajudou muito, ainda que a crise não esteja totalmente superada", avalia.

O escritório esperava uma retomada da área de mercado de capitais, mas não com a intensidade que se verificou. Já a área de financiamento de projetos teve desempenho um pouco abaixo do desejado.

O ano para a imagem da advocacia como um todo, contudo, não foi bom. Fatos como os escândalos de propinas pagas via escritórios, o imbróglio envolvendo o ex-procurador da República Ricardo Muller, a Procuradoria-Geral da República e uma grande banca,  e repercussão negativa da capa da revista Veja com o criminalista Adriano Bretas prejudicaram "muito o conceito da advocacia em geral".

Quanto ao Judiciário, Bertoldi acredita que em 2018 ainda haverá a priorização de julgamentos de processos relacionados à corrupção.

Leia a entrevista com Alexandre Bertoldi, sócio gestor do Pinheiro Neto Advogados.

 

Quais áreas registraram crescimento e garantiram faturamento em 2017?

Apostamos em um bom ano para a área de mercado de capitais e fomos surpreendidos positivamente. Com a queda da taxa de juros, o setor ganhou tração e já aponta indicadores superiores aos registrados em 2016. Também tivemos um ano especialmente bom em contencioso tributário e temas contenciosos relacionado às questões regulatórias.

 

Quais áreas tiveram retração em 2017?

A área de financiamento de projetos teve desempenho um pouco abaixo do desejado.

 

Os dois movimentos surpreenderam o escritório ou os avanços e recuos eram esperados nestas áreas?

Obviamente a atividade do escritório está diretamente relacionada ao momento econômico vivido pelo Brasil. Com o princípio de recuperação que vivemos, esperávamos uma retomada da área de mercado de capitais, mas não com a intensidade que se verificou.

 

Quais as grandes vitórias da banca em 2017 tanto no Judiciário quanto no âmbito administrativo?  

No âmbito administrativo comemoramos os 75 anos de fundação do escritório com uma série de eventos, que acabaram por propiciar não só uma maior integração entre todos os nossos integrantes, como levaram a comemoração para fora dos nossos domínios.

A exposição de Toulouse-Lautrec, que patrocinamos com 100% de capital próprio, foi o modo que encontramos para promover uma celebração inclusiva e capaz de retribuir à cidade parte daquilo que recebemos dela ao longo de nossa história.

 

E as derrotas mais sentidas?

Nada digno de nota.

 

O que esperava que aconteceria neste ano que na prática não se concretizou?

Em realidade, o ano acabou sendo melhor do que o esperado. A retomada da atividade econômica nos ajudou muito, ainda que a crise não esteja totalmente superada.

 

O escritório aposta em quais áreas para crescer em 2018?

Teremos seis novos sócios e cinco novos consultores a partir de janeiro de 2018. As promoções compreendem, praticamente, todas as áreas de atuação do escritório e refletem nossa crença num ano novo com boas possibilidades – independente do período de inflexão que as eleições devem impor ao mercado.

Cremos, especificamente, na manutenção dos bons indicadores que marcam o mercado de capitais no final de 2017; no crescimento contínuo dos temas relacionados à área de tecnologia; no aumento do papel consultivo estratégico na área trabalhista; e na viabilização de novos projetos de concessão, com mais PPPs capazes de aquecer a economia e destravar gargalos históricos.

 

Quais as perspectivas para o mercado de advocacia em 2018 num contexto ainda de instabilidade política e econômica?

Acho que 2018 será, pelo menos até julho, muito parecido com 2017. O segundo semestre dependerá muito de como estiverem as pesquisas eleitorais, quando poderemos testemunhar muita euforia ou cautela nos investimentos.

 

Em 2017, vários escritórios apareceram nas delações da JBS sob acusação de emitirem notas falsas e outros advogados foram acusados de intermediar propina por outros delatores. A imagem da advocacia saiu arranhada neste ano?

Bastante. Escândalos de propinas pagas via escritórios, o imbróglio envolvendo Ricardo Muller, a Procuradoria-Geral da República e uma grande banca, a repercussão negativa de uma das últimas edições da revista Veja, com detalhes sobre o faturamento e o estilo de vida de alguns criminalistas… Tudo isso prejudicou muito o conceito da advocacia em geral.

 

Quais são as perspectivas do escritório sobre o Judiciário em 2018?

Ainda devemos ver o Judiciário priorizando julgamentos de processos relacionados à corrupção.

 

Este foi o ano da reforma trabalhista. E no ano que vem, que lei será o destaque?

O ano já deve começar com discussões acerca da necessária Reforma da Previdência.

 

Raio-x do escritório

Crescimento percentual: 4%

Número de sócios: 97 a partir de 2018

Número de advogados: aproximadamente 450

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