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Relicitação de usina atrai estrangeiro

Por: Valor EconômicoImprimirVisualizar em PDF

​No cenário de juros altos e empresas nacionais pouco capitalizadas, os estrangeiros surgem como a principal aposta do governo federal para a relicitação de 29 hidrelétricas, cujas concessões venceram, marcada para 30 de outubro, e que terão valor de outorga de R$ 17 bilhões. Assessores e especialistas afirmam que é grande o interesse das companhias de fora, diante do real barato e da possibilidade de ampliar a capacidade instalada no país sem incorrer nos riscos de construção características dos grandes empreendimentos. Gigantes como a italiana Enel, o fundo canadense Brookfield e a chinesa China Three Gorges estão entre as interessadas.

Esse é o primeiro leilão que cobrará bônus de assinatura, desde a vigência do novo modelo do setor elétrico, em 2004. E, diante da necessidade de recursos, o governo autorizou também pela primeira vez que empresas estrangeiras possam participar sozinhas, sem a necessidade de experiência de operação de hidrelétrica no país - a comprovação de experiência no exterior será suficiente.

"Os estrangeiros estão muito interessados, especialmente os chineses e europeus", afirma Thais Prandini, sócia da Thymos Energia. De acordo com ela, o real barato cria uma boa oportunidade para as estrangeiras que já estão instaladas no Brasil e querem expandir a capacidade, ainda que a perda do grau de investimento soberano pela S&P possa ter afastado alguns potenciais entrantes.

Segundo apurou o Valor, o fundo canadense Brookfield, que vem investindo pesadamente em fusões e aquisições no setor desde 2014, é um dos interessados. A empresa não quis comentar o assunto. A China Three Gorges, que já tem participação em algumas hidrelétricas no país e recentemente arrematou usinas da Triunfo por R$ 1,74 bilhão também está no páreo.

A Enel vem olhando os ativos "com atenção", disse uma fonte. A empresa já anunciou que pretende focar a atuação no Brasil no segmento de eólicas, solares e pequenas centrais hidrelétricas. Mas a possibilidade de entrar nas grandes hidrelétricas como operadora, sem os riscos de execução nas obras, é um ponto positivo. De acordo com especialistas, o risco desse projeto pode ser considerado menor do que o dos investimentos em transmissão. A companhia não retornou o pedido de entrevista.

A possibilidade de venda de parte da energia das usinas no mercado livre também despertou o interesse das empresas nacionais. Na lista das habilitadas para o leilão estão as atuais concessionárias, que incluem a Cesp, a Copel e a Cemig, e outras grandes geradoras, como a AES Tietê, a Tractebel, a EDP e a Duke Energy.

O problema é como captar os recursos. "A outorga é um problema apontado pelas empresas nacionais, porque as condições de financiamento estão muito complicadas", afirma José Roberto de Oliva, sócio responsável pelo setor de energia no escritório de advocacia Pinheiro Neto.

De acordo com ele, as condições de pagamento da outorga, que devem ser detalhadas pelo governo no edital a ser publicada até o começo da próxima semana, serão cruciais para determinar o nível de competição do certame. No mercado, a expectativa é de que pelo menos metade do valor tenha de ser paga ainda neste ano.

A expectativa maior é para as usinas de Jupiá e Ilha Solteira, que pertenciam à Cesp, e tem quase 5 mil megawatts (MW) de potência instalada, equivalentes a 80% do volume que será licitado. Os investidores que levarem o projeto terão de pagar cerca de R$ 14 bilhões, que serão amortizados ao longo de 30 anos nas tarifas.

O presidente da estatal, Mauro Arce, afirmou que está em conversas com eventuais parceiros para entrar como minoritário no processo. "Vários interessados têm nos procurado, especialmente estrangeiros. O problema é conseguir o dinheiro da outorga", ponderou.

Chama atenção ainda a habilitação de empresas eletrointensivas. As fabricantes de alumínio Alcoa e CBA, além do grupo Votorantim e Vale podem apresentar ofertas. "O leilão faz sentido para nossas associadas, na medida em que permite aumentar a parcela de autoprodução", disse o presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape).

Segundo ele, as empresas podem firmar parcerias com outros grupos, já que não há interesse no volume de cotas, e sim na fatia destinada ao mercado livre. Além da usinas da Cesp, as demais são de pequeno porte, variando de 1,4 MW de potência até 396 MW.

A relicitação pode marcar a volta do grupo Eletrobras aos leilões - com caixa apertado, a estatal tem ficado fora dos certames. "Estamos analisando as alternativas. Se vai ser sozinha ou em parceria, vai depender do lote", disse o presidente da Chesf, José de Miranda. Furnas e Eletronorte também estão habilitadas.

Em meio às incertezas, o governo está otimista em relação à licitação. "Vemos grande interesse, tanto dos atuais concessionários quanto de outros agentes", disse o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Luiz Eduardo Barata.

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